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Mario Trentim é consultor em gestão de projetos e professor do ITA, FAAP e FGV. Autor dos livros "Gerenciamento de Projetos"; "Manual do MS-Project 2010 e Melhores Práticas do PMI®"; e, "Managing Stakeholders as Clients". (http://linkedin.com/in/trentim)

Carreira em Gerenciamento de Projetos – Parte I

As palestras sobre carreira em gerenciamento de projetos estão normalmente com plateias cheias. Embora GP não seja um modismo, tem havido muito burburinho em torno do tema projetos. E isso ganhou mais força com os avanços do Brasil nos últimos anos.
Empresas se instalando, empresas aumentando sua capacidade, empresas lançando novos produtos. E, claro, os famosos Pré-sal, Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016. A gestão de projetos está se profissionalizando no Brasil e novas vagas estão sendo abertas para profissionais nesta área. Veja uma discussão sobre salários de GP no Linkedin.
Uma das consequências é o surgimento de muitos cursos sobre gerenciamento de projetos, sejam cursos de curta duração, especializações e pós-graduações. Mas, como traçar um plano de carreira para ser bem sucedido como GP?
Embora o Guia PMBOK sugira que as habilidades de GP permitem gerenciar qualquer projeto, na prática não é bem assim. Concordo que são processos gerais independentes da área de aplicação, mas o gerente de projeto deve conhecer, ao menos superficialmente, os aspectos técnicos do projeto.
Podemos utilizar os conhecimentos de GP, processos, ferramentas e técnicas de gestão em projetos de Óleo & Gás, Aeroespaciais, TI e mais. Porém, os processos orientados ao produto, ciclo de vida e fases do produto e do projeto são específicos de cada área. Um bom GP em TI teria dificuldade em gerenciar um projeto aeronáutico.
É por isso que eu costumo dizer que as habilidades de gestão tem sido supervalorizadas (management is overrated). Todo mundo quer ser gerente. E hoje, todo mundo quer ser gerente de projetos. Mas não dá para liderar sem ter sido liderado, não dá para “chegar ao topo” sem subir degraus. Antes de ser gerente de projetos é preciso ter trabalhado em projetos, ter sido membro de equipes de projetos.
Quando me perguntam o que é necessário para ser gerente de projeto, eu digo: fortaleçam suas competências técnicas. Quanto melhor profissional na sua área de conhecimento, mais chances você terá de participar de projetos desafiadores e aprender com eles. Sempre que possível, aproxime-se do gerente e sua equipe de gerenciamento e planejamento. Paralelamente, desenvolva suas habilidades em gerenciamento de projetos por meio de cursos e estudo.
Acredito que a parceria entre PMI e INCOSE ajudará a separar as competências técnicas das competências gerenciais em projetos. Nos próximos dois posts, falaremos mais sobre as carreiras em gerenciamento de projetos e sobre as certificações.
Portanto, o primeiro passo para ser um bom GP é ser um profissional competente na sua área de conhecimento. Nos próximos posts, veremos as habilidades e competências que precisam ser desenvolvidas no GP.

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to “Carreira em Gerenciamento de Projetos – Parte I”

  1. Olá, Mário! O tema é bastante pertinente ao momento que vivemos no Brasil. Também tenho visto em alguns profissionais essa vontade de queimar etapas. Isso é muito ruim.

    Concordo com você quando diz que gerenciamento de projetos não é modismo. O problema é a enxurrada de cursos que aparecem se aproveitando do boom. Essa moeda tem dois lados: o bom, em que realmente precisaremos de gente qualificada e os bons cursos tentarão suprir essa demanda. E o lado ruim: “espertos” oferecendo gato por lebre. Como serão muitas as opções, alguns profissionais acabarão sendo ludibriados. Um exemplo disso é o técnico que acredita precisar “tirar” a certificação PMP para, aí então, tornar-se GP (quando na verdade, a essência é exatamente o contrário – um GP já experiente pode atestar isso por meio da obtenção da certificação).

    Estamos aguardando os próximos posts!

    Um abraço,
    Marcus Gregório Serrano, MBA, PMP
    Diretor de Assuntos Técnicos
    PMI-ES | http://www.pmies.org.br

    4 de janeiro de 2012 at 1:11 PM
  2. Repassando para meu e-mail.

    5 de janeiro de 2012 at 10:52 AM
  3. Ricardo Domingues Ferreira #

    Concordo plenamente com este post.

    Sempre ouvi essas história que “qualquer um pode gerenciar qualquer projeto, desde que seja um bom GP.”

    Exsitem vários fatores a este respeito (não ter conhecimento técnico), que são negligenciados.

    Acho até que há um modismo em GP, pequeno, mas vejo que existe sim.

    5 de janeiro de 2012 at 4:14 PM
  4. Olá Marcus,

    Eu acredito que as habilidades básicas de GP vão acabar se tornando pré-requisito para os profissionais que desejam avançar em suas carreiras, quaisquer que sejam elas. O próprio Tom Peters dizia há 10 anos atrás que gerenciamento de projetos seria essencial, assim como conhecimentos básicos de finanças, marketing e administração.

    Porém, nem todo mundo precisa ser gerente de projetos.

    O surgimento de vários cursos, principalmente os de curta-duração, que não são regulamentados, é natural, assim como ocorre em TI e outras áreas. Existem empresas de treinamento sérias e outras nem tanto.

    Acredito que o papel do PMI, através de seus Chapters, é informar e conscientizar a comunidade de GP e demais interessados. Existe muita dúvida sobre por onde começar. Existe muita dúvida quanto às certificações. E outras tantas dúvidas.

    Grande abraço,

    6 de janeiro de 2012 at 2:27 PM
    • Renato Piccinin #

      Basta olhar fora do Brasil. os principios do GP ja fazem porte da rotina. Ocorre que aqui cada vez menos o dinheiro parado em conta vai render alguma coisa e para se investir com maior seguranca, e’ necessario planejar e calcular riscos coisa que no Brasil sempre foi “com a barriga”. Nao me preocupo com os que acham que estao prontos para serem GP mas nao sao. Aprenderao que nao e’ so’ fazendo cursos que se tornarao. A parte humana ainda e’ muito forte e so’ com vivencia a maturidade sobre de degrau.

      9 de setembro de 2012 at 12:56 AM
  5. Olá Ricardo,

    Pode ser que exista algum modismo sim, talvez um certo exagero. Mas o gerenciamento de projetos se consolida cada vez mais como uma necessidade e isso não vai passar.

    A negligência aos conhecimentos técnicos faz, na minha opinião, com que o Brasil esteja atrás de outros países nas questões de desenvolvimento tecnológico. Prezamos muito pelas habilidades gerenciais e soft skills, além da criatividade e comunicação tipicamente brasileiras, mas às vezes esquecemos de construir planos de carreira dentro de profissões mais técnicas, não apenas as engenharias. Isso, a meu ver, é ruim.

    Vejam uma reportagem da Época sobre a falta de mão-de-obra qualificada:
    http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI213475-15228,00.html

    E um artigo sobre a falta de engenheiros:
    http://www.administradores.com.br/informe-se/economia-e-financas/brasil-pode-importar-engenheiros-para-cobrir-falta-de-mao-de-obra/42574/

    Abraço,

    6 de janeiro de 2012 at 2:32 PM
  6. Newton Pedri #

    Sobre a capacidade de gerenciar projetos em áreas diversas: Considero que temos duas possibilidades, sendo a primeira e mais natural o gerente de projeto ter experiencia na área de conhecimento/aplicação do projeto – desta forma oriundos da educação serão bons gerentes de projetos em educação e oriundos de tecnologia da informação serão bons gerentes de projetos em tecnologia da informação. Mas a segunda possibilidade, de gerenciar projetos fora da área de conhecimento base do profissional também pode ser verdadeira, desde que as competências buscadas pela organização que realiza o projeto sejam extritamente de gestão/comportamento. Explico melhor por um exemplo – projetos de troca de software ERP exigem primordialmente conhecimento sobre softwares ERP, e portanto, as competências buscadas não são sobre o negócio em si, mas sobre troca de ERP. Desta forma, um profissional que tenha gerenciado ou participado de troca de ERP em algum setor terá o que contribuir efetivamente em qualquer setor, desde que as competências buscadas sejam sobre troca de software (e não sobre a essencia do negócio). Este aspecto necessita de uma reflexão dupla, tanto do profissional – o que tenho para contribuir? – quanto da organização – o que preciso buscar?. Se as respostas se alinharem, é o momento do profissional migrar de área e focar nas técnicas e de gerenciamento de projetos. Atenciosamente: Newton Pedri.

    8 de janeiro de 2012 at 1:55 AM
  7. Olá Newton, concordo com suas palavras.

    Nada impede que um profissional mude de área. Projetos necessitam de várias competências diferentes. O GP precisa compreender o todo e ter claros os objetivos do projeto para poder gerenciá-lo.

    Quando o GP não tem conhecimento sobre os aspectos técnicos do projeto, podem acontecer duas situações ruins: 1) a equipe não confia no GP; 2) o GP fica refém da equipe. Não que o GP precise conhecer todos os detalhes técnicos de um projeto, mas ele deve saber como funcionará o resultado (uma refinaria? um avião?), quais os principais subsistemas, quais os riscos, quais dificuldades em se construir algo assim, quais coisas são essenciais etc.

    Abraço,

    9 de janeiro de 2012 at 1:31 PM
  8. Gostei do post. Faça uma comparação:
    Pois é, todo mundo que ser general, mas ninguém quer ser soldado.
    Mas, para chegar a general o primeiro passo é ser “bom” soldado.

    É uma comparação como Gestão de projeto, todo quer ser gerente mesmo sem ter experiência em projetos. Mas para ser um bom gerente é preciso ter atuado no equipe de projeto.

    Pois, desta forma você entenderá e respeitará as pessoas e saberá valorizar
    a equipe, um gerente de projeto precisa de bons soldados (uma boa equipe).

    18 de janeiro de 2012 at 2:11 AM
  9. Emerson Lanes Mangia #

    A carreira d egestão de projetos a cada dia amadurece.
    Eu mesmo estou nesse caminho, e vejo que muitos profissionais querem iniciar no topo.
    O conhecimento e prática tem que caminhar juntos, com isso o profissional terá os requisitos necessários para ser um GP.

    18 de janeiro de 2012 at 2:28 PM
  10. É verdade, Rildo.

    Às vezes, na ânsia de acelerar demais a carreira no início, acabamos tendo tropeços e muita lentidão no final. Acontece aquilo que frusta muitos profissionais: ficamos estacionados em determinado nível da carreira porque não nos preparamos suficientemente para os outros níveis.

    O pensamento deveria ser: o que eu preciso fazer hoje para ter ganhos sustentáveis de longo prazo?

    Por exemplo, se eu quero ser um diretor de projetos bem sucedido, o que eu preciso fazer nos próximos 5, 10 ou 15 anos?

    Aquilo que fazemos correndo, em geral, fica mal feito. E, se não precisa ser bem feito, então na precisa ser feito.

    A carreira é o nosso maior patrimônio, que vamos construindo ao longo do tempo e precisa de bases sólidas.

    Um abraço,

    18 de janeiro de 2012 at 5:07 PM
  11. As empresas estão descobrindo a real necessidade de gerenciar seus projetos!!! Para os Bons Gerentes de Projetos a Carreira esta só começando!!! Pense nisso!!! Bons Projetos!!! MBA-GP,MARCOS ARAÚJO – ALLMARC TECNOLOGIA – http://www.allmarc.com.br

    15 de fevereiro de 2012 at 1:27 PM
  12. Regina Feitoza #

    Eu estou há algum tempo direcionando minha carreira para a área de projetos, sou formada em administração e estou trabalhando com projetos sociais, concordo que precisamos começar como soldados conforme foi dito anteriormente e assim comecei. Hoje estou num curso de MBA em GP e irei participar de, na opinião, um grande evento promovido pelo PMI Sergipe, onde haverá capacitação na prática em ambiente real de GP.

    21 de março de 2012 at 5:50 PM
  13. não dá para “chegar ao topo” sem subir degraus.
    Diz Tudo, estou na area de projetos a 5 anos e quando eu acredito que sei tudo,paro pernso e vejo que tenho muitos degrais pela frente, alguns podem encarar como dificil e chato, prefiro ter a visibilidade de crescimento continuo, até mesmo nos meus erros.
    Muito bom o post.

    30 de março de 2012 at 1:39 PM
  14. Interessante! Adicionado ao meus favoritos. abrs!

    3 de abril de 2012 at 9:06 PM

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