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Mario Trentim é consultor em gestão de projetos e professor do ITA, FAAP e FGV. Autor dos livros "Gerenciamento de Projetos"; "Manual do MS-Project 2010 e Melhores Práticas do PMI®"; e, "Managing Stakeholders as Clients". (http://linkedin.com/in/trentim)

Qual a área do conhecimento mais importante em Gerenciamento de Projetos?

Qual a área do conhecimento mais importante em gerenciamento de projetos? Quando faço essa pergunta, as respostas são as mais variadas.
Fico surpreso de que muitos respondem: custo ou tempo. Isso demonstra um problema crônico da transição de uma cultura de “fazejamento” para uma cultura de planejamento e gerenciamento.

Anthony Mersino, em seu livro Inteligência Emocional para Gerenciamento de Projetos, diz que a cultura organizacional é um ponto essencial para o gerenciamento dos projetos. Até aqui, nenhuma novidade.  Mersino salienta que basta observar os comportamentos que são recompensados e os que são punidos para saber como os projetos são gerenciados numa organização.
Em geral, planejamento muito detalhado e demorado é punido. Por outro lado, “mostrar trabalho”, isto é, partir para a execução rapidamente, é frequentemente recompensado. O esforço de recuperar projetos é mais valorizado do que o trabalho de prevenir que esses projetos entrem em crise. Isso nos remete ao segundo parágrafo deste artigo.

Toda a confusão e pressão, causadas pelo ambiente competitivo, globalizado e com mudanças cada vez mais rápidas, resultam numa falsa ideia de que a produtividade está relacionada apenas à velocidade. Na verdade, produtividade não é apenas fazer mais rápido. Produtividade é fazer certo a coisa certa.
Isso nos leva a outra área do conhecimento frequentemente mencionada como sendo a mais importante: qualidade. Afinal, se algo não precisa ser feito com qualidade, então não precisa ser feito. Outras áreas frequentemente mencionadas são riscos e comunicação. Isso porque comunicação, gerenciamento de stakeholders e soft skills são a última moda em gestão. Riscos, por sua vez, é hoje tido como um diferencial competitivo, embora a maioria das organizações os gerenciem muito mal.

O fato é que, se existe uma área mais importante, acredito que essa área seja Escopo. É o escopo do produto e do projeto que determina todas as demais áreas. As tarefas são feitas a partir da EAP, os custos são calculados a partir dos recursos estimados para as tarefas, a qualidade depende do escopo do produto e projeto, as comunicações são o suporte para o funcionamento do projeto, RH cuida do maior ativo do projeto – as pessoas, o gerenciamento dos riscos tem como objetivo manter o escopo nos trilhos e, por fim, as aquisições compram os materiais e insumos que precisamos para trabalhar. Temos ainda a Integração, que procura unir todas as demais áreas, além de coordenar, supervisionar e integrar a gestão do projeto.

Mas, ao final do projeto, o que desejamos? Bem, como gerente de projetos, muitas vezes, desejamos apenas nos livrar dele! Mas os principais stakeholders, em especial o patrocinador e o cliente, o que eles esperam? Eles esperam o produto, serviço ou resultado exclusivo que o seu projeto prometeu entregar. Para o cliente, relatórios, cronogramas, plano de comunicações, curvas do Valor Agregado não terão mais importância nenhuma. Ou seja, são documentos resultantes de projetos que dão suporte e auxiliam para que o escopo do projeto seja executado.

O grande problema é que os gerentes de projeto estão priorizando tempo e custo na tríplice restrição, enquanto na verdade deveriam se preocupar primordialmente com o escopo. O resultado disso é a grande taxa de fracasso mostrada nos CHAOS Report, por exemplo.

A conclusão é que, se ainda não dominamos o gerenciamento do escopo, investir nas outras áreas pode não trazer as melhorias desejadas. O gerenciamento do escopo se inicia com a demanda do projeto (problema ou oportunidade) e o estabelecimento dos objetivos do projeto em seu Termo de Abertura. Posteriormente, no grupo de processos de Planejamento, atenção especial deve ser dada à coleta de requisitos, o que irá permitir a definição da solução e determinação do escopo do produto e do projeto. Finalmente, durante a execução, o controle integrado de mudanças deve estar sempre alerta, utilizando um processo formal de mudanças.

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to “Qual a área do conhecimento mais importante em Gerenciamento de Projetos?”

  1. Estou de pleno acordo. O escopo é a alma de um projeto, a base para todo o planejamento subsequente. Nas minhas turmas de gerenciamento de projetos, procuro enfatizar a importância do perfeito entendimento do objetivo do projeto, a identificação dos stakeholders e o detalhamento dos seus requisitos, para então obtermos o escopo detalhado. A WBS é uma ferramenta essencial nessa etapa.

    Parabéns pelo excelente artigo!

    25 de janeiro de 2012 at 11:43 AM
  2. Todas se completam! Porem a comunicação é essencial para que tudo funcione!!! Comunique-se!!! Bons Projetos!!! http://www.allmarc.com.br

    25 de janeiro de 2012 at 2:18 PM
  3. David #

    Parabéns pela escolha do tema.

    26 de janeiro de 2012 at 6:48 PM
  4. Wander Mendes #

    Creio que esta pergunta não tem uma resposta única e exclusiva. Gerenciamento de projetos (como o nome já propõem – gestão) é um sistema. Num sistema, todas as partes são importantes, com papéis e mecanismos próprios e diferentes, interdententes entre si, voltadas a atingirem um objetivo único e maior. Tudo começa com a clareza do escopo que por sua vez tem dois “olhares”: o que precisa ser desenvolvido (visão das fases, tarefas, subprodutos de cada área envolvida) e o que precisa ser entregue (deliverables) enquanto produto e serviço e resultados alcançáveis (valores tangíveis e intangíveis). Contudo, entre estes dois pontos (end to end – do cliente ao cliente) para se atingir a efiçacia entre o contratado e a entrega do projeto, as demais disciplina, custos, tempo, qualidade, risco, comunicação, recursos, aquisição e integração apresentam sua relevância, próprias a cada projeto, mais ainda assim relevantes a todos os projetos.

    27 de janeiro de 2012 at 1:26 PM
  5. Jose santana #

    Escopo… momento em que todo o projeto será construído , onde suas necessidades iniciais são expressadas para o projeto. As premissas e restrições são elaboradas . Previsões são feitas para possiveis entregas.
    Não podemos esquecer que esse escopo é elaborado através do processo de comunicação .Através de reuniões com o cliente e especialistas dos processos para a buscar essas informações , e nesse momento temos que gerenciar ego, medo de dar informações, tudo isso conta nesse momento.

    30 de janeiro de 2012 at 7:53 PM
  6. Paulo #

    Adorei o artigo. E concordo plenamente com a área do escopo (em especial os requisitos). Se o escopo (do que precisa ser feito) não estiver correto, iremos sim gerenciar os custos, riscos, nos comunicaremos, entregaremos com qualidade, no tempo, com as aquisições e recursos corretos, de algo que no final não era para ser feito.

    1 de fevereiro de 2012 at 4:01 PM
  7. Marlene Carnevali, PMP. PMI-RMP #

    Meus caros. Todas as áreas de conhecimento são importantes mas eu diria que a mais relevante é a Gestão de Riscos, porque ela direciona para todas as demais, influenciando o bom andamento do projeto. Ela tem o poder de melhorar o planejamento do projeto e, principalmente, de fazer com que o escopo se materialize. É capaz de encontrar falhas no plano de gestão da Comunicação e corrigir. Por exemplo, se eu não obedecer às políticas de RH da empresa, posso potencializar riscos à orgsanização no que diz respeito a ações trabalhistas, ao mesmo tempo, se apolítica de RH não me permite contratar determinado perfil, há riscos sérios para o projeto. Enfim, não pude carregar aqui um diagrama que mostra claramente essa importante interação, mas está disponível num artigo que escrevi para a MundoPM, na Edição nª 38.

    20 de fevereiro de 2012 at 10:34 AM
  8. Marlene, tudo bem?

    Concordo que todas as áreas são importantes. O gerenciamento de riscos, assim como a integração, por seu caráter “multi-área”, se é que posso chamar assim, trazem uma enorme contribuição aos projetos, como você apontou muito bem.

    A depender das características do projeto, algumas áreas podem ser mais importantes do que outras para satisfazer aos objetivos desejados. Eu vejo o escopo como uma base importante, principalmente se partirmos de projetos menores em que as demais áreas são utilizadas com menor profundidade.

    Em projetos grandes e complexos, os benefícios e valor agregado ao negócio ganham mais relevância, como disse o Prof Farhad. Além disso, vejo o gerenciamento de riscos e a integração ganhando importância conforme o tamanho do projeto também.

    Parabéns pelo seu artigo na edição n.o 38!

    Grande abraço,

    22 de fevereiro de 2012 at 5:20 PM
  9. Luiz Alberto Júnior #

    Uma questão que está parecendo polêmica, mas prá mim bem clara: AS PESSOAS. Gostaria de relembrar o que o próprio autor do texto frisou:”RH cuida do maior ativo do projeto – as pessoas”. Prá mim está aí a resposta da questão. Se as pessoas são “o maior ativo” elas são mais importantes. Claro que cada qual poderá optar pela área de maior conforto para responder a questão, mas, não podemos nos esquecer que sem o entendimento das questões comportamentais de gestão (motivação, equipe, liderança, comunicação, gestão de conflitos, participação das pessoas, etc, etc etc.) não adianta ter escopo bem definido, riscos bem identificados, custos projetados, aquisições planejadas e outras providências mais, porque um simples desequilíbrio no tratamento e na gestão das pessoas pode derrubar todos os planos, provocando falta de qualidade, atrasos nas entregas, insatisfação dos stakeholders e, muito provavelmente, grandes prejuízos. Nunca é demais lembrar que cada projeto, como cada empresa só tem razão de existir para ser feito por gente, para atender gente. Me parece que instrumentos e métodos, embora organizacionalmente importantes e até imprescindíveis, são secundários. Sugiro pensar a respeito!!!!!

    17 de março de 2012 at 4:33 PM
  10. Kátia Paiva #

    Considero também que a definição do escopo detalhado é a alma do projeto.
    Todo o restante é baseado no seu conteúdo. Quando este não é bem determinado há um comprometimento de todas as outras áreas de conhecimento causando grandes estragos ao desenvolvimento de qualquer projeto.

    27 de abril de 2012 at 11:28 AM
  11. John Moschin - MBA -PMP #

    Concordamos também que a base de todo projeto é o escopo. O problema é que somos imediatista demais e infelizmente, dedica-se pouco tempo na sua definição – consequência disso: alteração constante do mesmo e isso influência negativamente as demais áreas.
    Por outro lado, um projeto é um sistema complexo e todas as áreas interagem entre si. Todas devem ser tratadas com o devido respeito.

    30 de abril de 2012 at 9:57 PM
  12. Caro Mário,

    Parabéns pelo Post. Contudo existem ressalvas. Está claro a importância do escopo para a sequência do planejamento, entretando o todo deve ser observado. Um excelente gerenciamento do escopo com um inadequado gerenciamento de tempo, por exemplo, pode anular o excelente trabalho feito em escopo e por consequência custos e etc. Dentro deste contexto, acredito que integração é que faz este todo de forma coesa e balanceada, o que em última análise é o que levará o projeto ao sucesso respeitando todas as restrições do projeto.

    Atenciosamente,

    André Cruz, PMP

    9 de maio de 2012 at 3:19 PM
    • Gilson Gonçalves #

      Olá pessoal,

      No meu entendimento, todas as áreas de conhecimentos, em Gestão de Projetos, são importantes. Mas, a aplicação das áreas de conhecimentos depende do perfil do seu projeto. Em projetos pequenos, não é factível utilizar todas às áreas de conhecimentos de gestão de projetos. É viável escolher às áreas que conhecimentos que irão lhe proporcionar o controle necessário ao seu empreendimento.

      Mas, o ponto de partida para se decidir o que fazer para gerenciar o seu projeto, parte do escopo. Ele é o norte. O escopo é que determina o que deve ser feito, o que será entregue e o que devemos fazer para termos sucesso ao final do projeto. Mesmo em um projeto pequeno, procure entender, junto com a sua equipe, os detalhes do escopo do seu projeto.

      Assim, você conseguirá fazer um planejamento mais efetivo do seu projeto e decidir quais áreas de conhecimento serão necessárias para lhe auxiliar no seu processo de gestão.

      Grande abraço!
      gilsongpereira@gmail.com

      2 de agosto de 2012 at 11:33 AM
      • Gilson,

        Excelente resposta. Em geral, quando se está acostumado só com projetos de grande porte, o que nos vem à mente é escopo e riscos. Mas como tudo em Gerenciamento de Projetos “depende”… o tamanho é fundamental para decidir qual é a mais importante. Eu acrescentaria, a principal restrição, porque, se for um projeto de demanda legal, a gestão do prazo é sem dúvida a mais importante. Já gerenciei muito projetos demandados por BACEN e FEBRABAN e só Deus sabe o sufoco para manter o prazo para um produto novo e totalmente desconhecido dos desenvolvedores. Não tinha no mercado quem tivesses expertise no assunto. É por isso que em Gerenciamento de Projetos, tudo depende…
        Abs.

        3 de agosto de 2012 at 9:28 AM

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