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Estimativas de custo e duração final de projeto

Estimativas de custo e duração final de projeto

Autor: Paulo André de Andrade

Entre as funcionalidades mais interessantes do GVA está a que proporciona estimativa do custo final de projetos. Para o gerente do projeto, poder apresentar, ao patrocinador e outros executivos, previsões de custo final com justificativas objetivas e críveis, tem valor inestimável. A predição de custo, conhecida como Estimativa Independente NTérmino (ou EINT que neste artigo denominaremos de EINTidc) é calculada pela fórmula EINTidc = ONT / IDC. Ou seja, o prognóstico do custo final baseia-se na crença que a divisão do Orçamento NTérmino pelo Índice de Desempenho em Custo representa uma boa estimativa do custo final do projeto na Data de Status (DS). Ora, sabe-se que, como já dizia Simonsen, “o futuro a Deus pertence“, ou seja, prever acontecimentos, especialmente os que ainda não ocorreram(!), é arriscado. Mas, projetos são construídos sobre premissas a respeito do que está por vir. Estabelece-se uma suposição, elabora-se um bom raciocínio para defendê-la e a usa na elaboração dos planos do projeto. O cálculo da EINTidc tem a vantagem de se basear em valores que são aceitos pelos envolvidos no projeto. O IDC é um índice derivado do que ocorreu no projeto até o momento, é o resultado da divisão do Valor Agregado (VA) desde o início do projeto até a DS pelo Valor Planejado (VP) na DS (IDC = VA /VP). Quando se utiliza o IDC para calcular a EINTidc, assume-se que o passado se repetirá no restante do projeto. Isso não é sempre verdade, mas tem sido, comumente, usado no gerenciamento de projeto; e é uma boa suposição; muito melhor que outras sem uma justificativa técnica razoável.

Como mencionado em textos anteriores, o GVA falha em oferecer um Índice de Desempenho em Prazo (IDP) com comportamento apropriado para uso em prognósticos sobre a duração do restante do projeto (lembrando que o IDP, cujo valor é calculado pela razão do VA para o VP [IDP = VA / VP], tende a 1 (um) à medida que o projeto se aproxima do seu final, ou seja perto do fim do projeto, a estimativa fornecida pela divisão da Duração Planejada (DP) pelo IDP tenderia ao próprio valor da DP, independentemente de o projeto estar atrasado e já ter ultrapassado a DP!). Para evitar essa anomalia as estimativas de duração no GVA usam a fórmula: EINT(t) = DR + (ONT – VA) / TT; EINT(t) representa o valor da estimativa independente no término para a duração do projeto no momento “t” e DR é a Duração Real, tempo decorrido desde o início do projeto até a DS (ou seja: DR = DS – DI e DI é a Data de Início do projeto) medido em dias úteis, e TT, Taxa de Trabalho, é um fator que converte o trabalho restante para tempo – o trabalho restante é a diferença entre o orçamento no término e o valor agregado. Para a TT há propostas diversas:

  1. TT = Média do Valor Planejado = VP/né número de períodos escolhido pelo GP para o cálculo da média
  2. TT = Média do Valor Agregado = VA/n
  3. TT = Valor Planejado do Período Atual = VPlp
  4. TT = Valor Agregado do Período Atual = VAlp

A falha do GVA mencionada é o motivador da busca por alternativas ao IDP. Novas técnicas ꟷ em 2003 Walt Lipke propôs o Prazo Agregado (PA) e em 2014 Homayoun Khamooshi concebeu a Duração Agregada (DA) ꟷ, entre outras vantagens, apresentam alternativas ao IDP do GVA, sem suas limitações.

No PA, também conhecido como GVA-PA ꟷ pois usa valor de duração, obtido a partir curva do custo distribuído no tempo do GVA (curva S), no cálculo de seus indicadores ꟷ, o índice de desempenho em prazo do GVA é conhecido por IDP(t); o “(t)”, além de referenciar o IDP nesse momento, indica também que o cálculo do IDP(t) utiliza apenas valores de tempo. A fórmula é: IDP(t) = PA(t) / DR; na qual PA(t) é o valor do Prazo Agregado no tempo “t” (a determinação desse “t” foi assunto de texto nosso anterior). Tanto o PA quanto o DR são medidos em dias úteis. Lipke, no seu livro Earned Schedule (traduzido por mim como Prazo Agregado e à venda na Amazon [e-book] e no Clube de Autores [impresso]), informa que estudos de Vanhoucke & Vandervoorde demonstraram que a estimativa de duração do PA (EINT(t) = DP / IDP(t)) é, geralmente, melhor que qualquer das quatro acima.

Já na DA, que deriva seus indicadores de prazo de valores de tempo contidos no GVA, sem qualquer contaminação por valores de custo, o índice correspondente ao IDP(t) do PA é o Índice de Desempenho em Duração (IDD). Esse índice resulta da divisão da DA(t) – valor da duração agregada no tempo “t” – pela DR. As maneiras de determinar os valores com subscrito “(t)” nas equações de cálculo do IDP(t) e do IDD, embora muito parecidas, podem produzir valores bem diferentes.

No GVA há outro índice, o IDPT – Índice de Desempenho Para Terminar – que indica se é ou não necessário melhorar desempenho em custo no restante do projeto (a partir da DS até seu término) para que o custo ao término do projeto não ultrapasse seu Custo final Desejado (CD). No livro do Lipke há um estudo que indica que se o IDPT for igual ou inferior a 1,00 pode-se afirmar que o CD (ONT, ou outro valor escolhido pelo GP) é exequível, caso o IDPT seja superior a 1,10 considera-se que o custo do projeto está fora de controle e o CD é, muito provavelmente, inviável. Entre 1,00 e 1,10 o GP deve considerar se é ou não apropriado solicitar o auxílio e intervenção dos executivos seniores para melhorar o desempenho em custo.

IDPT = (ONT – VA) / (CD – CR) é a fórmula geral para o IDPT. Nesta fórmula CR é o Custo Real. É comum que CD seja estabelecido como o ONT e a fórmula seria então: IDPT = (ONT – VA) / (ONT – CR). O gerente, que é, muitas vezes, solicitado a reduzir o custo final do seu projeto pode usar o IDPT para determinar o custo final ainda é viável para o projeto no instante da solicitação. Também, pelo uso do IDPT o GP pode reconhecer, bastante cedo no projeto, a necessidade de ação drástica para evitar o constrangimento de negociações complexas com o cliente ou o patrocinador por recursos adicionais.

O mesmo raciocínio do IDPT (custo) pode ser aplicado à duração final do projeto com o Índice de desempenho em Prazo Para Terminar (IPPT) no caso de análise que envolva o IDP(t) ou o IDD.

Uma planilha de demonstração dessas técnicas (GVA, GVA-PA e GDA) será apresentada e debatida no Workshop de 20 E 21 Julho no SINDUSCON em São Paulo/SP e distribuída aos participantes. Mais informações em: http://www.mundopm.com.br/eventos/sinduscon

 

fotoPauloAndrade

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Paulo André de Andrade (PMP, MBA, BSEE)

Engenheiro eletrônico pelo ITA. Em 25 anos na IBM gerenciou a transferência internacional de tecnologia do exterior para o Brasil; instalou laboratório de desenvolvimento de hardware na unidade de Sumaré-SP; encerrou sua carreira como gerente de produtos de software pessoal.

Por sua empresa, a Techisa, foi, sob contrato da IBM, o GP para a modernização do ambiente de software das agências do Banco do Brasil, num projeto de 7 anos.

Correntemente, atua como consultor e palestrante em gerência de projetos e tradutor técnico inglês/português.

Telefone: (21) 981-010-409 / (21) 2438-2389

E-Mail: pandre@techisa.srv.br  LinkedIn: https://br.linkedin.com/in/pandre

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